sexta-feira, 30 de julho de 2010

Soneto para uma vampira

Já vaguei por muitas estradas,
mesmo sem sair de casa.
Já olhei para muitos rostos,
apesar de não ver nada.

Sou a única que não respira
e continua entre vivos e mortos,
não sou a morte em pessoa
mas já a olhei nos olhos.

Longe de qualquer inferno
e mais distante ainda do paraíso,
não sou chamada
não sou achada, nem ao menos procurada.

Entre a vida e a morte,
a única diferença
é um coração que bate

terça-feira, 27 de julho de 2010

A mulher do viajante no tempo

Eu ia abandonar a esperança,
eu ia chorar
 e deitar nos lençois vazios
empoeirados
ia queimar a casa,
a rua, meu coração
só que,
Algo inexplicável aconteceu:
Eu me lembrei de você.

Não sei quando te verei novamente,
Não sei quando virá,
sei que é difícil estar em casa
sei que é difícil não voltar no tempo,
e sei que doí para nós dois.

Apenas venha logo, está bem?
Pois toda vez que penso em você
Eu sinto dor,
E isto é um grande problema
Pois estou sempre pensando em você...

segunda-feira, 26 de julho de 2010

Te amarei - Por Geraldo Martins

Não quero mais ninguém
Não quero sofrer mais
Você não é alguém
Você é a pessoa que me faz feliz
Só que não quero sofrer por você.

Amar você e ser pisado por você
Isso não é amor
E sim doença
Você é minha doença?

Porque te amo?
Pra que te amo?
Mas amar quem me
ama é bom.
Mas amar você
Que não me ama
Não é amor
Mas mesmo assim te amo.

Escrito por:Geraldo Martins

Um bicho chamado amor

Eu amo,
Tu amas,
Eles amam,
Vós amais.

E alguém se ferra,
Amor trás sofrimento
mas também trás derrotas
e suas vitorias.

Amor é poesia,
É a guerra dos sexos
Em uma trégua na monarquia  
Sem reis,  
Sem rainhas  
e sem poder  
Sem nada  
e  
Sem ninguém

Que coisa estranha é este amor

Uma certa saudade que dói...

Esperar você?
Que idéia absurda,
eu sou capaz de ser feliz sem você,

Bem...

talvez não seja capaz,
mas sou capaz de me enganar,
sou capaz de ser falsamente feliz

talvez não seja,
talvez precise de você,
talvez não ame o ser desejado
e sim o próprio sentimento de desejo,

mas quem liga?
Eu só quero repousar meu corpo no seu...
Quem liga?

Jogo perigoso

Esvaziei sua mente,
envadi sua parte mais obscura,
invadi seu santuário mais sagrado,
onde tudo pendura para sempre,

e se eu ainda não roubei sua vida
fique atento,
ela está em minhas mão agora,
você é meu brinquedinho,
e só eu sei as regras do jogo
 
sabia,  
talvez eu as tenha esquecido   ,
perdi os dados 
mas, você não sabe, 
e continua como brinquedo.

Você não sabe
  que eu não posso mais brincar...

Pecado

A primeira vez que eu o vi, estavamos ambos sentados em baixo da grande macieira, onde tudo começou. Um grupo de jovens se reunia ali perto, e nós dois eramos velhos demais para entender o que eles diziam.

Fiquei paralisada, como as plantas e suas raízes fundo no chão, mas tú tinhas seus próprios passos, e caminhou até mim com uma pequena fruta nas mãos.

Mordi a fruta, puxei teu corpo, mordi teus lábios, e fugimos dali.

Virei fantoche, não fui mais planta, sedi a cobra, perdi meu Deus.

Poema de despedida

Sinto muito em dizer adeus,
nao sinto tanto quanto voce,
apenas direi e irei embora,
ADEUS
  
Não, não me deixe ir
me siga, por favor,
não quero ficar sozinha,
então eu vou embora,
em busca de outro alguém.
Não é fácil pra mim dizer,
então direi e irei embora
ADEUS

Ainda ouço sua voz, 
farfalhar em meus ouvidos  
como folhas secas no inverno,  
mas como não é fácil pra mim dizer  
direi e irei embora
ADEUS
 
Por que tu me deixas ir?
Vem me buscar...
Espero por ti 
mas, se tenho de ir
não vou me enrrolar em prantos
não é fácil pra mim dizer
então direi e irei embora
ADEUS
 
Se não vens atrás de mim,
eu que não esperarei por ti
NÃO FECHE OS OLHOS
tenha um pouquinho de medo
espere por mim
 
Não. Não espere
eu digo uma última vez
e vou embora

ADEUS

Logo após aquele dia - Geraldo Martins

Logo após aquele dia
pensei e repensei no que fiz,
No que faço, e o que pretendo fazer ainda,
Estou vendo meu presente em pedaços do que vivo,
Lembro de cada minuto que vivi, e escrevo meu futuro
Com lembranças do passado.

Meu medo é ficar sozinho,
Mas a uma pessoa nesse mundo que disse que me AMA,
E algo em mim me manda acreditar nela.

Ao momento em que ouvi uma musica,
Lembrei-me o rosto dela.
Fazendo-me sorrir me fazendo feliz,
Eu a amo a amo mais que tudo nessa vida,
Ela é especial e tudo para mim.

Agora sim tenho um caminho a seguir,
Sem pensar só deixar acontecer,
E poder viver esse amor
Como é bom amar.

Seguirei esse caminho e espero que todos,
Também o achem pois esse é o
Melhor caminho a se seguir, principalmente
Com um grande amor ao lado.

Te Amo Muito

Escrito por:Geraldo Martins

Reflexo - Rita Via

Atrás do espelho,
mora minha companheira,
que as vezes se enfeita,
pra parecer mais faceira,
ela é a mulher que aparento,
mas não é verdadeira,
ela é o que tu reconhece,
e nunca me vês inteira.

(Rita Via)

De tudo - Rita Via

Querida rua,
saudosa janela.
Tanto tempo passou por ela,
e eu me esqueci.

Hoje lembrei a rua,
o tempo que fui tua
e tudo que perdi.

(Rita Via)

Morte

Deita no meu ombro
escuta este respirar?
é baltazar,
 cada respiração mais perto
mais próxima de te levar

Modelos de Botequim

Que tú fazes largado em um bar?
O que queres aqui sozinho?
Pra que ficar perdido neste nada?
Para que afogar o rosto num como de alcool?
O licor não vai te dar o ombro,
a chachaça não vai ouvir teu choro,
a cerveja não pode te devolver a vida,
o que passou, está passado.

Volta pra casa,
volta pra mim,
sai dessa vida,
dessa vida perdida,
paixão de botequim
sai deste mundo,
não me deixa sozinha,

PROMETO
que eu não te perco no caminho,
não se afogue em vinho
você não está sozinho

Volta pra casa,
pai,
volta pra mim

As meninas de salto alto

Olhe além dos jeans apertados
além dos corpos lipados
dos bumbuns injetados
enxergue além da maquiagem
e além das roupas de cobras
e verá um ser humano
burro e vaidoso
exatamente como todos nós

A rosa e o caderno

Não são nada.
Nunca são.
São passado.
Todos são.
Minhas lembranças.
Vêm e vão.
E bate forte
o coração

O Grande truque

Me enganou com suas palavras
o som lindo saindo dos seus lábios
me enganou com sua lábia
me perdi em paixão por você
e hoje estou a mercê das flechas

mas, não,
não espero meu final
ainda me recuso a ir sem luta

são tantas histórias
que se repetem sem final feliz
são tantos corações quebrados
queimados até a raiz
são tantos desejos que eu queria lhe contar
mas nada é verdadeiro
quando se estás nas garras de um enganador

Por favor - Geraldo Martins

E muitas vezes eu avistei
Eu muitas vezes me perguntei porque
Eu continuo aqui e continuo chorando.

E muitas vezes eu chorei
Eu muitas vezes derramei lagrimas
Por aqueles que nao estão aqui.

Mas apesar disso eles continuam tão perto.
Por favor alivie meu fardo.
E eu ainda me lembro
das memorias e eu choro
em meus sonos perdidos

As cicatrizes, elas cortaram tao fundo.

Com certeza sem guerras nao haveriam perdas
de agora em diante sem mais lagrimas, sem maldade, sem dor, sem miséria
Sem noites de insonia sentindo falta dos mortos...ah, sem mais
Sem mais guerras

Escrito por: Geraldo Martins

Carta à um homem invisível...

Eu queria que você lesse isso um dia, mas, ao mesmo tempo, não quero. Não sou idiota, querido, sei que você não me ama mais, e chego perto de compreender, mas aceitar é meu desafio. Acho que no fundo, só escrevo por que você poderia ler, se quer a verdade, ela é simples: Eu quero que você saiba. Pode continuar ignorando, meu amor, ignore por toda a eternidade, mas eu gostaria muito que você soubesse o quanto eu te amo.

O tempo passou, as folhas caíram, congelaram, nasceram de novo, mas pra mim tudo continua da mesma maneira. Os amores proibidos são inesquecíveis.

Você existe? Você algum dia existiu? Parece mais com um fantasma na minha consciência, bom e ruim demais para ser verdade. Não era seu rosto, não era seus versos, não era seu corpo, seu jeito ou seu olhar de mar... Era sim. Era tudo isso, era só isso, era muito mais.

Quer ouvir a pior parte? Ainda é...

Sabe como é difícil fazer com que eu me apaixone? Parece fácil para você?  Deve parecer...

Eu devo parecer uma tola...

Imagine, você apenas beija a garota uma vez, e ela alega paixão eterna. Me chama, quero ouvir sua voz... Quando você fala (e quantas vezes eu já liguei e esperei em silencio pela sua voz?) eu sinto como se meu corpo ardesse em fogo e congelasse sem sentidos.

Eu sinto como se faltasse alguma coisa dentro de mim, algo mais importante do que metade de mim. Não é isso que falta, amado, o que falta, sou eu inteira.

Me sinto perdida desde que você partiu. Obrigada por quebrar meu coração e deixá-lo a mercê das traças.

Um bom amigo toma conta dele agora, e tenta roubá-lo a qualquer custo.

Quem me dera fosse possível.

Não adianta, não importa quantas paixões eu encontre, por quantos corpos eu percorra, ao ouvir sua voz, sentirei aquele fogo dentro de mim, e mesmo daqui anos, eu o sentirei, mais forte do que nunca.

Amor, sei que você não me ama, mas se um dia já amou, quero que saiba que ainda o amo.

Me liga mais uma única vez. Vou ouvir tua voz, minha carne vai arder de desejo, por que tu não fostes só meu amor mais intenso, como fostes meu primeiro e único amor.

Onde estou? - Geraldo Martins

Sinto-me diferente, minha vida
Parece ter mudado.
Sinto-me forte e confiante,
Em alguns momentos

Mas como tudo a dois lados,
Tem outros momentos que não
Sei o motivo dos meus atos.
Pois não a mais motivo para me enganar.

Tudo muda com o passar do tempo,
Descubro que perfeição não existe,
Mas formas de se chegar perto
Dela sempre haverá.

Sofrimento sempre terá que existir para
Poder haver a alegria,
Sofri demais até agora espero que
Apareça a alegria em
Minha Vida.

Sim o amor ainda existe e sempre ira existir.

Escrito por: Geraldo Martins

Sentimento sem título

E a vida
sempre tão leve
e descontraída

será assim?

uma angustia
que se guarda no peito

acaba?

não, querido
ergue-te das cinzas
e continua

e eu não?

não forte, nem tanto
mas sei o que quero

o que quero
daquela leve
leve e descontraída

vida?

quero só você
que viaja com o momento
e volta ao sol nascer

volta?

ou volto eu?

Algo aconteceu

Será que a culpa foi minha?
Será que a culpa foi dele?
Ele vai andando,
ele caminha
Por caminhos incertos.

Ele era encantador,
Ele era gracioso,
Mas com o tempo mudou,
Agora é fingidor.

Tudo anda a mudar,
Os sentimentos,
as palavras,
Até os seus olhos que eram de mar.

Todos fingem o que não sentem,
Todos querem o que não têm,
Todos mentem,
sem ao menos saber porquê.

Saudades

Desejo...
Desejo abraçar-te e não me sentir perdida,
Perdida na solidão que me consome,
Achar-me um dia.
Anseio pelo teu toque,
Quente e suave...
Lembrar-me...
Lembrar-me de um dia especial,
Que me reconforte um dia.
Anseio por ti,
É inevitável...
Inevitável deixar de me encontrar,
Num ser que tem tanto para dar!
És tu...amor perdido,
Que tento há tanto tempo encontrar!

Perder-te

Perder-te
Não havia nada a dizer
Era uma coisa que custava a crer
Mas era verdade e não se podia negar
Uma coisa era certa, era por te amar.

domingo, 25 de julho de 2010

Alguém normal


Uma pergunta pessoal
você é importante na vida de alguém?
não de verdade,
eu tenho certeza
você é apenas substituível
podem até derramar lágrimas por você
mas encare,
você é apenas um
em um milhão
as coisas são mutáveis,
este fato:
não!

sábado, 24 de julho de 2010

Campanha rápida

Cada ovo comido é um pinto perdido

Rapunzel

Você já teve a sensação de estar presa? Eu sou a princesa presa na torre.

Quando eu tinha apenas quatro anos, minha mãe foi escolhida em casamento pelo príncipe Ricardo XVII, chefe das terras de Midland. Minha mãe não teve outros filhos e eu me tornei a única herdeira ao trono. Rei Ricardo, apesar de detestável como rei, se mostrou um pai amável e cauteloso, quando minha mãe desfaleceu aos meus sete anos.

O problema veio aos meus oito, em uma carruagem de ouro com um cocheiro de barba longa. Uma condessa das terras altas chegou ao palácio com uma proposta atraente ao rei Ricardo. Em troca de torná-la sua rainha, Ricardo teria a devoção completa dos moradores das Terras altas governadas por Antonio I, pai da condessa e, com isso, o comércio poderia se expandir facilmente por todo o continente.

A condessa Alexandra se tornou a rainha e única herdeira do trono, por que a filha mais velha do rei, eu, havia desaparecido no lago. Enquanto o cocheiro e a rainha se encarregavam de espalhar a terrível notícia da minha morte – uma mentira, por sinal – eu estava aprisionada no alto de uma torre, tendo a própria rainha como minha carcereira.

Envenenando meu rei, dia-a-dia, com pequenas doses de veneno de rato, ela ficava mais e mais poderosa tendo a devoção do povo voltada para si. Quando Ricardo desfaleceu, perdi quase que por completo minhas esperanças de ser salva. Estou até hoje presa na tal torre.

Hoje é só mais um dia como outro qualquer, e eu não espero que nada demais aconteça, e diferente dos outros dias, hoje aconteceu. Sentei a janela cedo e cantei uma triste canção pra tirar aquele peso do coração, e enquanto eu cantava, ouvi uma voz. A voz que chamava por uma princesa. Corri a janela e o homem olhava para cima:

- O que fazes tu aí em cima, ó formosa dama? Deverias estar aqui deixando que as flores te invejem e que eu te galanteie.

- Quem me dera, gentil senhor, mas estou presa aqui faz muitos anos.

- Eu não posso escutar-te daqui debaixo. Deixa-me subir? – O homem observou a torre e depois completou; - mas não há portas!

- Nem janelas baixas! Não sei como deixar-te entrar.

- Não se aflija, ó adorável donzela, jogue suas tranças que eu chegarei até você!

Joguei minhas tranças pela janela, e o homem subiu por elas, até mim.

- Ora! Mas quem diria? És ainda maior beldade de perto do que de longe! Como nunca te vi cruzar pelo reino?

- Já te disse, cavaleiro, sou aqui prisioneira.

- Por que não foges?

- Não há portas, cavaleiro.

- Sinto informar-te, mas não possuo tal posição de cavaleiro. Sou Arthur, filho de Zacarias. E tu quem és?

- Rapunzel, filha de Ricardo XVII.

- Filha do falecido rei? Rapunzel...


- Eu gostaria de tua ajuda, mas com Alexandra em Midland, dariam por minha falta antes mesmo de me permitir fugir.

- A rainha?

Ouvi Alexandra chegar, seus passos ecoavam na minha mente e pelas escadas da torre.

- Tens de fugir, Arthur. Ela está chegando!

- Sim, eu vou. Mas, voltarei minha dama. E te salvarei. Prometo!


Arthur pegou minha mão e beijou-a, depois partiu descendo a torre pelas minhas tranças. Mal ele fora embora, Alexandra adentrou meu quarto:

- Que fazes nesta janela, insolente? Não vai responder? O gato comeu-te a língua? Pois bem, fique aqui sem ceia e podes voltar a se lamuriar na janela. Não sonhe demais, Rapunzel, sonhos são o caminho do fracasso.


Arthur voltou no dia seguinte, e no dia depois daquele, e no outro, e no outro... Sentia-me grata com todos os Deuses pela alegria que ele trazia. Sua voz e coragem eram um sopro de felicidade na minha vida. Fazíamos planos pra quando fossemos fugir e ele me ensinava a tocar flauta. Não conseguia compreender por que ele não me ajudava a fugir logo, então perguntei-lhe:

- Por que não me tira desta torre?

- Não é por falta de amor ou coragem da minha parte, Rapunzel, mas seria perigoso fugir sem um plano perfeito. Não quero arriscar te perder...

- Alexandra está voltando! Desça, vamos, desça.

Antes de descer, voltou a sentar a janela e me disse:

- Eu voltarei, Rapunzel. Todos os dias até poder te levar comigo.

E me beijou os lábios. Nunca havia sido beijada antes, e quando ele me tomou nos braços, esqueci que a madrasta subia as escadas, esqueci do perigo, esqueci de tudo. Ele se foi, descendo a torre pelas minhas tranças e eu me virei para Alexandra, sem jamais tirar Arthur do pensamento. Tomei coragem e perguntei ao monstro que me deixava presa:

- Alexandra, por que tu não me deixas sair?

- Deonde vem toda essa fome por liberdade? Tu não eras assim...

- Eu quero ver o mundo! Deixa-me ir, quero conhecer a praia e tocar flauta!

- Flauta, Rapunzel?

- Eu conheço algumas coisas...

- Não minta, Rapunzel. Vós não podeis mentir para mim.


Quando me vi, estava presa a verdade em um feitiço, e não consegui mentir-lhe:

- Um homem que me visita me ensinou.

- Um homem? Um homem te visita quando não me encontro na torre? - Ela me bateu no rosto e me deixou cair no chão para depois levantar-me: - E como ele sobe a torre alta?

- Por meus cabelos.

- Pois ele se arrependerá de intrometer-se no meu reinado!

- Ele nada te fez, deixe-o em paz!

- Cala-te, sua insolente!

Naquela noite, Alexandra cortou minhas tranças, e me amarrou ao pé da cama. Adormeci somente de madrugada, exausta de tanto chorar pela segurança de Arthur. Na manhã seguinte, Arthur parou a minha janela e gritou:

- Rapunzel, Rapunzel, jogue suas tranças cor-de-mel.

Antes que eu fosse capaz de avisar-lhe que partisse, Alexandra tapou minha boca e lançou as tranças a ele. Alexandra lançou-o pela janela, sobre as roseiras e eu pude apenas ouvir seus lamurios de dor. Nada podia eu, a princesa presa na torre fazer.

Alexandra desceu atrás dele e ouvi gritos e sons de metal se batendo. Eles estavam lutando, mas presa a cama eu nada podia fazer, arrastei-me com cama até onde consegui. Os sons haviam cessado.

E eu cantei, cantei pra ele, e passos subiam as escadas. Eu tinha medo. Era o velho cocheiro parado a porta:

- Eu já não lhe mandei ficar em silencio? Mas, você arruma confusão, Rapunzel! Por isso vou ter que te machucar muito. Você vai ter que morrer, por que você é uma menina muito, muito malvada.

E voltei a cantar. O cocheiro avançou na minha direção e eu lhe empurrei com os pés, fazendo isso eu quebrei a madeira da minha cama e soltei meus pés. Lancei-me sobre ele, mas ele era mais forte e me derrubou no chão. Foi quando Arthur entrou na sala e empurrou o cocheiro malvado pela janela.

- Venha! Vamos embora!

Corremos pelas escadarias o mais rápido que conseguimos, mas eu sentia que Alexandra estava atrás de nós.

- Deixe-me ir! Fique com o palácio, as jóias, o trono, fique com tudo só deixe-me partir!


A bruxa má assumiu a forma de um dragão asqueroso, coberto de gosma e musgo verde e lançou-se sobre nós. Arthur atingiu-lhe com a espada certeiro no coração, e o monstro caiu desfalecido no chão.

- De onde vieste com esta espada? Tu me disseste não ser cavaleiro.

- E não sou. Sinto muito, Rapunzel. Sou apenas um ferreiro.

- Jamais duvide de seu poder, vós salvastes-me da malvada rainha e agora estou livre para governar o povoado, de forma justa e honesta!

- Vais partir como prometeu a rainha?

- Não me curvarei diante de tão malvada criatura. Governarei o povo com o poder que é meu por direito.

- Mas, Rapunzel, não vai fugir comigo para longe? Vós não lembrais que planejamos...

- Sim, mas as situações foram alteradas, Arthur. Se quiseres, fique comigo, como meu rei, e governaremos Midlands e as terras altas...

- Não. Eu voltarei para o meu povo. Venha comigo, seja uma aldeã como o resto de nós...

- Arthur, alguém tem de governar o povo, e essa serei eu. Vós virais comigo, ou não?

- Não.

- Então não conte a ninguém a minha história e te deixarei partir.

Ameacei-o com minha adaga apontada para seu pescoço.

- Não contarei nada a ninguém, Rapunzel. Nunca mais.

E Arthur partiu pela mesma estrada pela qual ele vinha todos os dias. Nunca mais vi o ferreiro novamente, e nunca me disponibilizei a procura-lo.

Meu novo marido e rei, conde Eduardo II foi homenageado não só por ser o novo rei, mas por me salvar, princesa Rapunzel, de um terrível dragão. É assim que nós rainhas e princesas vivemos dia após dia, e é essa a história que passaremos de geração em geração, afinal, nenhuma rainha deve se ver envolvida com um mero e fraco ferreiro. Esse é o meu segredo, e não diz respeito a ninguém por que, no final, todos nós viveremos felizes para sempre.

Não é?

Ressaca - Rob O.

Carlos se levantou sem ter muita certeza de onde estava. Levantou da cama, que rangeu com a mudança de peso, e bateu de cabeça em algo. Tateou os bolsos. Quer surpresa, não é? Vazios! Fechou os olhos e tentou se lembrar o que havia acontecido ontem a noite. Havia uma festa, ele tinha quase certeza disso... e, ai, com certeza havia bebida. Ou drogas... Mas, alguma coisa havia.
Sentiu uma pontada de dor na cabeça e se deitou na cama. Tateou os lençois ao seu lado, devagar... Ufa!

Nada, nenhuma baranga pra ter de fugir depois, nenhum arrependimento, não houve nenhum tipo de sexo bizarro com um ser asqueroso tentando se passar por mulher...
Carlos deu graças ao senhor que nenhuma mulher havia se apaixonado perdidamente por ele na noite anterior, e ele poderia ir para casa sossegado... sem medo... ESPERA!

Ele se deu conta de que não estava em casa... Então ele havia, de fato, dormido com alguém...
Droga!, pensou, como se livrar da baranga?
Ia mentir, claro.
Ou fugir!!

Tateoou o chão em busca do resto das roupas... as calças já estavam com ele... agora... camisa, casaco...
Se vestiu rápido e foi abrir a janela, pronto para correr em caso da mulher canhão aparecer.
Neste instante, a mulher mais linda que ele já vira na vida entra pela porta:

- Ah, que bom que você acordou!

Esqueça, ele pensou consigo mesmo, sonhos podem se realizar... Ela é linda, perfeita... a noite fora ótima...

Carlos olhou para as curvas jovens e delicadas da moça nua a sua frente, os longos cabelos loiros cobrindo os seios, os olhos azuis como o céu brilhando de forma extraordinariamente perfeita... A voz doce...

Foi amor a primeira vista... Naquele momento ele soube que se tivesse de passar a vida inteira com uma única pessoa, aquela seria a mulher. Ela era a mulher dos seus sonhos...  A moça sentou na cama, o perfume dela, como de milhares de flores do campo, tomou o ar e encantou Carlos.

- Desculpe encomodá-lo tão cedo...  Carlos... - ela começou a falar: - Mas, é melhor você ir embora antes que meu marido chegue...

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Suspeita

Um homem barbudo bateu na porta de Andrea Swit, uma civil de 26 anos. Era passada a meia-noite.

- Senhora Swit?

- Sim sou eu. O que você quer?

Andrea Swit era uma mulher cautelosa e autoritária, era preciso só uma breve olhada nela para se perceber. Essa noite seus cabelos loiros estavam soltos sobre o roupão cor-de-mel curto, e suas longas pernas bronzeadas brilhavam a luz do luar. Ela seria uma mulher extremamente excitante, não fosse seus olhos castanhos sérios e sua pequena boca em um rosto anguloso.

Linda e fatal, seria a definição perfeita para a aparencia de Andrea Swit.

O homem barbudo esticou sua mão grande para cumprimentá-la. Sua mão cobriu inteiramente a mão da moça em um toque seguro:

- Sou o agente especial Filadelfia Boot. - recolheu a mão e apresentou o distintivo. - E quero falar sobre seu marido.

Andrea deu passagem ao homem. A sala era mobiliada de forma quase mórbida, peças de antiquário antiguíssimas e escuras, um longo candelabro central e um enorme quadro de uma donzela de branco sobre a lareira. Era uma casa razoavelmente cara, pelo visto, os Swit vivem em um padrão de vida bem generoso.

Andrea indicou a cadeira para o agente Boot, que sentou sem pestanejar, prestando atenção em cada detalhe da casa e tentando memorizar cada milímetro.

- Senhora Swit, quando foi a última vez que a senhora viu seu marido?

- No dia 16, eu já disse isso à polícia, agente Boot.

- Sim, senhora, mas é uma questão de rotina. - ele fez uma breve anotação. - O seu marido estava agindo estranho nos dias antes de... a senhora sabe... desaparecer?

- Ele não me pareceu mais estranho do que o normal, se me permite dizer. - ela descruzou e cruzou as pernas lentamente: - Posso saber qual é o motivo dessa visita no meio da madrugada? A polícia sabe que você está aqui? Alguém sabe que você está me encomodando a esta hora?

- Não. Vim por conta própria por que você é minha principal suspeita.

- Acho que a polícia discorda.

- De fato, ela descorda, mas seu marido foi encontrado morto e várias evidencia apontam você como suspeita.

- Não seja tolo, agente. Por que eu faria isso? Arriscar perder toda essa fortuna? O senhor deve achar sinceramente que eu sou uma tola.

Andrea novamente descruzou as pernas, mas desta vez, não cruzou-as novamente, apoiou-as sobre o sofá:

- A menos que o senhor tenha um mandato de prisão, terei que pedir que se retire da minha casa.

- Está bem, está bem. Mas, fique sabendo, estou de olho em você.

Andrea sorriu e acompanhou o agente até a porta. Se despediram rápido e o agente entrou no carro preto com ar de fúnebre.

O motor pegou de primeira. Andrea fechou a porta assim que o carro se afastou da enorme rua na qual ela vivia confortavelmente fazia 4 anos, desde que se casara.

- Sra Andrea? - chamou uma das criadas de dentro da casa: - Tudo bem?

- Sim, Evangelina. O carro está pronto para minha viagem?

A criada acentiu. Alguns segundos se passaram até que ela tivesse coragem de perguntar para a patroa:

- Quando a senhora volta?

Andrea tirou o roupão que cobria suas roupas do dia-a-dia, um vestido cinza discreto, e pegou um casaco vermelho sobre o corrimão da escadaria. Olhou nos olhos ingenuos da criada, e com uma risada meio fúnebre e quase ironica perguntou:

- Voltar?

7 horas

Uma garota embarca em um avião. O relógio vai denunciar o horário de 6 e meia dentro de um minuto. Ela checa o horário uma última vez antes de desligar o aparelho. A aeromoçã lhe alcança o passaporte que caiu no chão. Ela agradece. Nisso, se passa um minuto. Roberta é o nome da aeromoça. Roberta caminha até a cabine do piloto e fecha a porta atrás de si. Restam 25 minutos para as 7 horas. O piloto daquele avião é um homem alto e robusto, com ar de soldado experiente. O piloto agarra-a e se beijam grudados na porta da cabine.

O co-piloto bate na porta. Ainda falta 20 minutos até o relógio anunciar 7 horas e o co-piloto é um homem mais de idade, baixinho e de grandes olhos castanhos. A aeromoça sai. O copiloto entra. Faltam 18 minutos até o relógio anunciar as 7 horas. As portas do avião são fechadas enquanto duas aeromoças explicam os procedimentos em caso de emergencia. O motor é ligado. Falta exatamente 12 minutos para as 7 horas.

O avião acelera e começa a dar voltas pelo pátio. Passa-se dois minutos e o co-piloto se vê desnecessário. Sai da cabine do piloto e senta com as aeromoças. Falta 9 minutos para as 7 horas. Uma aeromoça loira de longas pernas sai do banheiro. O co-piloto está sentado em seu lugar. Roberta, uma aeromoça cede seu lugar para a loira de longas pernas. Uma terceira aeromoça pede que Roberta sente-se em seu lugar. A terceira aeromoça é uma morena de cabelos curtos e rosto jovem de universitária. Falta sete minutos para o relógio informar 7 horas.

A aeromoça com rosto de adolescente caminha nos corredores entre os passageiros e encontra um único lugar vago ao lado de uma moça ruiva de olhos verdes. A moça ruiva sorri para ela. Faltam 6 minutos. A aeromoça retribui o sorriso e checa ao redor. Não há nenhum passageiro olhando para elas. A aeromoça beija de leve a moça ao seu lado, que retribui.

Falta 5 minutos até as 7 horas. A aeromoça volta a levantar, desta vez com um pequeno pacote que ela tirou das mãos da passageira sem que ninguém percebe-se. A passageira sussurra:

- Boa sorte.

E vira um vidro de comprimidos para dormir na boca. Enquanto a aeromoça volta para o seu lugar, um passageiro mais próximo checa o horário no relógio de pulso. Falta 4 minutos para as 7 horas.

O lugar vago, agora é ao lado do co-piloto. A aeromoça se senta ao lado dele. Roberta sorri para os dois, enquando disfarçadamente o co-piloto tira o pacote das mãos da aeromoça. O co-piloto se encaminha para o banheiro, onde dá duas batidas na porta fechada. Ainda restam 3 minutos. A moça que abre a porta é velha, e obviamente é loira oxigenada. Cerca de 70 anos. Ela pega o pacote e volta até seu lugar, na primeira fileira, ao lado de um senhor de terno e barba bem aparada, nas sua mesma faixa etária.

Falta 2 minutos para as 7 horas. As aeromoças falam baixinho entre si. Quatro das 6 moças tem um rosário entre as mãos. O co-piloto não está mais ali. O homem velho tira uma coisa de dentro da meia e passa a um garoto sentado atrás de si.

O garoto levanta e caminha até cabine do piloto. A aeromoça ruiva da um sorriso ao ver o jovem caminhar e lhe alcança a chave discretamente. O jovem entra na cabine, o pacote agora é uma arma calibre 38 carregada com uma única bala encontrada na meia de um ex-policial. O jovem atira no meio da cabeça do piloto. Uma única vez.

Falta um minuto para as 7 horas.

é aí que o co-piloto entra na cabine e direciona o avião na direção de um enorme prédio.

A aeromoça loira de longas pernas ainda tem tempo de rezar uma prece de perdão, antes de tudo ir pros ares.

Admite


Agora
Admite que esta
é a coisa mais fofa
que você viu hoje

Olha só como foi...

Tirinha

Minha rua

+

Era uma rua.
Não muito bem iluminada, apenas iluminada.
quase invisível
quase perdida entre um infinito de novos prédios
monstros feitos de concreto e tijolos
mas, a rua era uma ruazinha
um pedaço do mundo
uma lembrança perdida num vão de palavras
esquecida com o tempo
coitadinha...
Fora ela,
a pequena e esquecida rua
na qual certa vez eu me apaixonei
e ela viu tantas histórias
mas está quieta agora
adormecida, pobre ruazinha
já fora alguém
e hoje é espectro de nada
de fantasmas do passado
dorme, dorme ruazinha
e deixa que os prédios se ergam
monstrinhos ao seu redor...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Uma breve noite

A música tocava baixinho no piano do primeiro andar. Bree tapou os ouvidos com o travesseiro, os olhos azuis abertos prestavam atenção intensa nas sombras assustadoras que contornavam o enorme quarto do terceiro andar. A luz da televisão lembrava a ela os morcegos assustadores dos contos da sua mãe. A batida na porta. Uma vez. Uma faixa de luz pequena veio pela fresta da porta e Liliete entrou. Bree exitou, mas falou com a sombra clara:


- Mamãe?

- Durma.

A voz tão doce e suave quanto o mel. Bree permaneceu deitada, em silêncio absoluto, até que a mãe finalmente saiu deixando a porta entre aberta. Em questão de segundos, as unhas vermelhas começaram uma batida ritimada nas teclas do computador. Bree imaginou-se em um dos contos da mãe, voando nas costas de um cavalo alado com um longo vestido verde brilhante. E por um segundo, quase esqueceu que não importa o quão ardentemente ela desejase, nada daquilo seria real. O pai parou de tocar o piano e ela ouviu seus passos pesados subindo as escada. O barulho do registro sendo ligado, a água caindo e batendo nas lajotas. Durou 722 segundos, até que seu pai finalmente entrou no seu quarto, abriu a janela de vidro e fechou as cortinas brancas que voaram com a brisa da noite.

- Pai? Estou com medo.

- Não tem motivo pra ter medo, feiticeira.

Ele deixou o quarto e bateu a porta. Veio um minuto de silêncio e, em seguida, os sons sombrios da noite voltaram. O vento soprou forte as cortinas, os grilos resmungaram na grama molhada e ainda havia movimento de carros na avenida. As respirações do seu pai e dos seus outros irmãos se confundiam com o barulho do ventilador no quarto de Cristian, o irmão mais velho.

Enquanto isso, a avó de Bree visitava o túmulo da filha única no centro da cidade.
Bree sussurrou para o fantasma escorado na sua porta:

- Boa noite, mamãe.
- Você não vai me ajudar a sair da escuridão, feiticeira?


Bree gritou, mas era tarde demais.

Alpha


O nome dela é Helena, o nome dele é Jake. Uma velha amiga de Jake, Rosa, pediu que ele tomasse conta de uma menina que ela salvou. O único motivo da Vampira Rosa não ter matado a menina, é por que Helena parecia saber onde está a amiga desaparecida deles, uma meio vampira-meio deusa chamada Grace. O Jake narra a história:



O tempo passava rápido e eu nem me esforçava para não respirar perto dela. Eu não precisava de esforço, era algo automático em todo momento que ela entrava no mesmo recinto que eu. Na verdade, por mais que deteste admitir, eu já estava me acostumando com sua chatice e incoveniencia habitual. Seus olhos claros cintilando sempre que eu a ignorava e o jeito que ela tentava imitar o rosnado que eu emitia quanto ela me encomodava. As horas passavam tão rápido com ela. Mesmo assim, alguma coisa estranha estava prestes a acontecer, e até aquele minuto eu não sabia o que era.

- Jake?

Ela sussurou se esgueirando pra dentro do quarto. Eu estava deitado na cama e abri um espaço para que ela deitasse ao meu lado. Helena encaixou suas costas na minha barriga. Abracei seu corpo e fechei os olhos. Meu cheiro estava impregnado no corpo dela. O tecido me era familiar. Rosnei:

- Por que você está usando minha camiseta?

- Não rosna pra mim. Minhas roupas estão ficando pequenas! Me empresta o cartão de crédito?

- Por que eu faria uma idiotice dessas?

- Você deve me compensar pela foto daquela vampira escondida no meio das suas meias.

- Você mecheu no meu arm... não sei por que ainda me surpreendo.

- Quem é a loirinha do armário?

Eu ri alto e ela se emburrou com a minha gargalhada que ecoou contra as paredes. Passei os dedos nos fios enrrolados dos seus cabelos loiros. Ela era tão pequena, frágil... Respondi com sinceridade:
- Ela é uma antiga paixão.

- Quão antiga?

- Muito antiga.

- Se é tão antiga, por que você tem uma foto dela no seu armário?

- Ela era do primeiro clã da Grace.

- Então faz uns 300 anos?

- Mais do que isso.

- Por que vocês não estão juntos?

Eu comecei a me irritar com ela. Rosnei e ela tentou me imitar. Era impossível brigar com ela. Helena realmente tinha razão. Por que eu tinha uma foto da Talita no meu armário? Tirei meu braço de cima do seu corpo e deitei de barriga pra cima. Mantive os olhos fechados e senti ela virando e deitando sobre mim. Sua voz fina falhou:

- Está brabo comigo?

- Não.

- Jake?

- O quê?

- Já trepou com ela?

Ela tocou meu rosto com os dedos e fechou os próprios olhos na mesma hora que eu abri os meus. Helena encostou seu nariz no meu e perguntou com uma vozinha doce e encatadora:

- Você dormiria comigo?

- As garotas do século 18 eram diferentes.

- Bem-vindo ao século 22.

Um minuto de silencio se seguiu antes dela falar no meu ouvido:

- Jake?

- O que?

- Você está me ignorando?

- Não.

Ela me beijou de leve e saiu do quarto. O silencio já estava me causando nauseas quando ela bateu de leva na porta:

- Jake? Você pode deitar comigo?

- Adiantaria dizer não?

- Não.

Levantei da cama, fui em passos contados até a sala. Ela deitou no meu colo, de modo que sua barriga ficasse contra a minha. O sangue pulsou mais rápido nas veias dela. Seus olhos se fecharam. Helena colocou a perna em cima de mim e suspirou fundo antes da cair no sono.

Quando ela abriu os olhos, eu continuava deitado ao seu lado, em silencio. Seu espanto foi divertido:

- O que você tá fazendo aqui?

- Olhando você dormir.

- Você é imortal, o tédio deve ser algo comum pra você.

Levantei. Ela se espereguiçou e se pôs de pé na minha frente. Ajeitei seus cabelos atrás da orelha.

- Não podemos sair de casa hoje, Jake.

- Você acha que eu não sou capaz de tomar conta de você?

- Eu não vou pôr a minha vida em risco saindo por aquela porta

- Eu quero sair hoje e vou.

- Vá você, minha vida vale mais do que isso.

- Você não seria grande perda.

- Eu não vou ir te ajudar!!

Ela se irritou e me deu as costas. Atravessei a casa, o pátio, a rua. Nào olhei pra trás até chegar no outro lado da cidade. Sentei em um banco no parque e deixei que o som do vento me acalmasse um pouco. Respirei fundo e senti um cheiro estranho, além da chuva que se aproximava. Uma trovoada cruzou os céus e um homem baixinho com longos cabelos grisalhos apareceu:

- Te assustei?

Uma faca girava em sua mão. Saiu do canto oposto um loiro largo com mais de dois metros de altura e um rosto rechonchudo. O parque logo foi certcado por dezenas de homens armados. Na jaqueta de um: “Housten”. Ri alto de uma piada que não existe:

- Então é isso? Meu pai mandou vocês?

O primeiro a se aproximar correndo, lhe cravou uma adaga nas costelas. Os grandalhões que se seguiram, esmurravam ele com força enquanto dois altos seguravam-no:

- É bom apanhar, bastardo?

- Adorável.

Respondi a um velho de pele rosadas que me apunhalhou a barriga. Senti a pele arder de raiva enquanto me jogavam de um lado para o outro.

- Você vão se ferrar!

- Seu pai mandou lembranças.

Eles riam na minha cara. Um assovio cruzou o campo. A voz de Helena:

- Soltem ele!

Ela segurava uma arma nas mãos trêmulas. Três vampiros caminhavam na direção dela. A arma bateu no chão e ela disparou a correr. Fui largado no chào enquanto todos cercavam ela no outro canto do campo. Não consegui levantar, mas sabia o que estava acontecendo. Uma voz grave:

- O que você vai fazer, princesa?

Outra voz grave e alta:

- Seu vampirinho está longe demais pra salvar você.

Um deles chegou perto e mostrou as garras perto do seu rosto:

- Últimas palavras?

- Eu não preciso da ajuda pra acabar com ninguém.

Não ouvi mais a voz dela, nem abri os olhos. O sangue dos vampiros espirrava ao meu redor, sobre mim. Eles gritavam, muito alto. Fiquei sem respirar.  E esperei.
Quando os gritos cessaram, voltei a respirar e o cheiro Dela penetrou o campo inteiro. Ela era mais importante do que minha vontade estúpida. Sentei e lhe abracei no meu colo. As lágrimas lhe corriam no rosto. Ela finalmente se afastou, as mãos trêmulas. Sua respiraçào irregular. Levei um tapa na cara. Resmunguei:

- Por quê?

- Por ter me assustado daquele jeito!! Achei que ia te perder.

- Eu já nào tinha apanhado o suficiente?

Ela sorriu e me ajudou a levantar com cuidado. A chuva caia forte e apagava as chamas. Helena sorriu e me disse:

- Sempre gostei do barulho da chuva caindo. É poético, alma de tudo. Como se alguém estivesse tentando limpar o mundo

- Nào gosto.

- Por quê?

- É melancolico.

- Isso é. Mas os melhores beijos do cinema acontecem na chuva.

- Nem sempre.

- Sempre.

Ela continuou com os passos ritimados até chegarmos em casa. E isso demorou muito. Atravessou o portão e me deitou sobre o sofá da sala. Seus dedos rasgaram minha camiseta com dificuldade. Os cortes já estavam desaparecendo e ela terminou de limpar o sangue. Helena parecia estar cuidadosa e com pena, mas seus olhos mostravam terror. Segurei seu braço e perguntei:

- Qual é o problema?

- E se da próxima vez eu não estiver lá?

- Eu podia tomar conta deles.

- Não foi o que me pareceu!

- Olha, eu nào preciso que você me ajud...

Um tapa me acertou no rosto em cheio. O slap ecoou e ela cobriu a boca com ambas mãos sujas de sangue:

- Eu não queria... eu...

- Eu mereci.

- Eu não devia ter feito isso, Jake. Sinto muito!

- Eu devia ter te escutado.

- Devia!!

- Me ajude a sentar.

- Por favor, não faça isso comigo de novo.

- Desculpe.

- Você está bem? Quer provar?

Ela virou a cabeça e deixou o pescoço totalmente descoberto.

- Certeza? - Perguntei.

Sua resposta foi rápida:

- E por que não? O qe eu tenho a perder?

Seus lábios quentes vieram devagar contra os meus, foi um beijou longo, cuidadoso e ao mesmo tempo intenso. Mandei:
- Solte os cabelos. Quero fazer isso direito.

Ela balançou os cabelos e seu cheiro dominou-me por completo. Sorri e deixei a mostra minhas presas. Ela tremeu mas continuou fielmente agarrada ao meu corpo. Ouvi a pulsação dela se acelerando novamente, a veia brilhando contra a pele... e mordi seu pescoço. O sangue fluia em uma sensação inexplicavel de puro extâse e prazer. Me afastei dela, que tomou fôlego. Declarou:

- Eu não sou humana.

- Imaginei isso quando você detonou os vampiros no parque.

- Então você me odeia?

- Nunca.

- Não importa o que eu seja?

- O que você é?

- Se isso importa, Jake, você não vai querer me ver na lua cheia...

A garota no vestido Escarlate

Uma garota descia as escadas pelo corrimão recém encerado ao som do segundo sinal escolar, o corredor era um caminho vazio e obsoleto de longas paredes povoadas de mofo.
Seu compromisso era apenas consigo mesma, tentando provar que era capaz de ser uma boa aluna, uma boa filha ou uma boa amiga. Ela estava decidida ao, ao menos, tentar.

- Ei, Anabelle.

Ela parou. Não havia notado Ingrid enquanto corria, estava tão absorvida em seus próprios pensamentos e em uma promessa secreta de melhora que não percebera nada que acontecia ao redor.
Agora, as meninas a cercavam Anabelle no corredor. Sandra Harley estava escorada na porta do banheiro, olhos baixos em uma desculpa fúnebre. Longos cabelos negros grudavam-lhe na testa, com o suor, Sandra parecia realmente desconfortável ali.

Mirela Pascollina esperava de braços cruzados no pé da escada, os cabelos loiros presos em um rabo puxado e pronta para as ordens de Ingrid.

Havia mais duas garotas de ela não conhecia, mas sabia estar prestes a conhecer.

Ingrid continha um sorriso nos lábios úmidos de gloss. Caminhou até Anabelle, os braços na defensiva, mas ainda inclinada para frente, olhos fixos na sua adversária. As duas rodaram duas vezes no corredor antes de Ingrid avançar. Pareciam duas lobas, cada uma disposta a defender seu território a qualquer custo que fosse necessário.

Sandra, Mirela e as outras esperavam impacientes o momento de entrar na briga, mas sem nenhum sinal de Ingrid eram como pequenos filhotes indefesos. O medo e panico inicial de Sandra já havia passado, e agora ela cercava a briga, atenta a qualquer movimento não planejado que desse a ela a chance de agir. Mirela mantinha as outras meninas afastadas com a mão e um leve sibilar, em intervalos de tempo.

Anabelle conseguiu segurar Ingrid no chão com os pés e agora impedia suas mãos no ar. Sandra se moveu na direção da briga, perto demais, e Mirela teve de afastá-la. As outras garotas estavam inquietas demais.

Anabelle não viu o golpe, mas sentiu o sangue encorrer-lhe queixo abaixo, logo depois de inundar sua boa. Alguma coisa estava quebrada, ela sentia algo errado, mas só foi capaz de uivar.

Nesse momento, três lobos pardos saltaram pela janela e afastaram as garotas da roda de briga. Ingrid lançou-se no ar, agora cercada por lobos, mas o maior deles avançou sobre ela, jogando a menina contra a parede. Os cabelos pretos e curtos se inundaram ainda mais de sangue, que parecia uma gosma quente entre sua camisa e pescoço.

Com um grito, quase rosnar, arrancou a camiseta e se jogou contra um dos lobos. Agora era um lobo cinza contra aquele enorme lobo negro de pelos cobertos de sangue fresco, as garotas que só assistiam a briga até agora ganiram como se feridas e avançaram em suas melhores formas. Agora eram três lobos pardos e um lobo negro contra os outros três lobos que avançaram escola adentro.

Fácil - Nina

Se a vida fosse fácil
O difícil não teria valor.
Por isso sigo em frente,
Lutando pelo seu amor.

A Nina que escreveu

http://marina-oi.blogspot.com/

Damas - Rob O.

Chamo minha atriz amada de dama,
chamo minha linda filha de dama,
chamo minha esposa gostosa de dama,
e chamo de dama todas as damas do mundo
feias ou lindas,
erradas ou certas
por que pra mim,
todas as mulher são damas
afinal,
no jogo de xadrez
a dama é a peça mais importante

depois do rei

Programa - Rob O

Convidei uma dama
pra um programa
e ela fez um drama
até pro papa mandou telegrama
disse não precisar da minha cama
ou da minha dinheirama
mas ao mundo ela proclama
a verdade a seu panorama
por que todos tem esta gama?
acho que no fundo ela só queria fama
e eu queria um programa...

Temporário

Certo dia entrei em um antiquário
e falei com um secretário
que vem a ser meu adversário
e não importa este comentário
que bem foi desnecessário
neste itinerário
mas seguindo meu vocabulário
encontrei este homem solitário
de quem nunca fui solidário
mas uma certa compaixão surgiu, foi involuntário
naquele momento não brigamos, pelo contrário,
algo que até surpreendeu o proprietário
ou até o homem que lia, um velho operário
liamos pelo mesmo breviário
sem se importar com o glossário
não eramos tão contrários
ganhavamos até o mesmo salário
e não foi necessário
nem rezar meu rosário
ou dar pulinhos em um santuário
quando saímos do boticário
olha o comentário
nem anotei no meu diário
mas no mesmo dia caia nosso aniversário
viramos amigos, eramos ambos dois temerários

Simpatia de Rima

sabedoria rima com ironia
e ventania com mania
e que porcaria, de que me valhe esta sabedoria
se nem sei o que significa neurastenia?

Loucura

doidice; demência, insanidade
ato próprio de louco
insanidade mental; momento de indulgencia
e eu nem sei o que indulgencia é
o que dizer da loucura em si?
Ato de extravagância, de imprudência
loucuras da mocidade
alienação, alucinação, delírio, demência, desatino, desvario, doidice e insânia
e olha, que coisa curiosa
que coisa estranha
que a loucura é
acredita que essa alienada
e avoada loucura
é substantivo feminino?
ora, quem diria, é uma certa dama prendada
a esta que classificam de louca

Deixa ser

e tente se conformar
ao deuses vou proclamar
e o mundo inteiro despertar
deixa-me antes filosofar
por que tenho muito enfrentar
será que estou a me antecipar?
tente facilitar
é minha honra que vou preservar
com esse ato vou comprovar
e pode se acostumar
vou naufragar
ao constatar
agora é tarde pra concertar
eu já estava à suspeitar
mas, mesmo assim vou anunciar
este amor eu estava à sustentar

Os perigos de amar

que vós apaixoneis
se isto vós interessa
mas eu não
eu espero atenta
escondida na sombra
por que amar é perigoso

Se amares

Por amar eu,
por amares tu,
por amar ele,
por amarmos nós,
por amardes vós,
por amarem eles,
por amar tanto
se fez a miséria.

Defenestras?

Então ele veio até mim
com um gingado gostoso
com um jeito orgulhoso
olhos nos olhos
perguntou com esforço:
- Defenestras?
e eu olhei-o de corpo
inteiro e esbelto
sorri bem faceira
e respondi como arteira:
- Defenestro!
e o próximo ato que se viu
foi uma dama voando através da janela


*para qem nao entendeu: http://www.dicio.com.br/defenestrar/

Significado de Defenestrar
v.t. Atirar (algo ou alguém) pela janela ou de uma varanda.

Poema safadinho

você é tão fofo
te quero pra mim
tão delicia
deixa eu sonhar
que te tenho comigo
aii, deixa eu te ter
juntinho do peito
se sonho contigo
se sinta orgulhoso
por que amo teu corpo
teu jeito gostoso

Uma certa falta de lucidez

Nuvem de algodão doce,
bom-dia cachorros azuis,
alô, alô queridos cogumelos,
dançando na chuva
 os aliens observam
a nossa falta de lucidez.

Obediência

Cala-te cogumelo,
a menina cruza os braços
e encara seu amigo cogumelo,
cala-te cogumelo,
ela repete,
ele o faz,
desde então
os cogumelos esperam ansiosos
Até que a menina diga
Tá bem cogumelo,
já pode falar

Rita

Mesmo qe você não saiba
qe minhas palavras são pra você
mesmo qe não entenda
e qe não possa perceber
deixo um pouco do dito
e não dito, do silencio
escrito em um lugar comum
lar de um milhão de palavras
tu nunca me magoaste
não verdadeiramente
nobre, eu entendo tuas intenções
lar puro, jeito meigo
se grafito no muro teu nome
não tem haver com raiva
saiba qe eu já te amei
e que me basta dizer que ainda amo
por que eu amo
e grafito teu nome
em mil muros
em mil paredes
em mil palavras
e em mil lugares vou voltar e dizer
se eu gritei do meu amor ao mundo
não foi por vaidade
foi pra dizer
e bem alto eu disse e deixei escrito
foi pra dizer isso
e com muitas palavras
e em muitos lugares eu vou dizer
denovo
sim, eu sei qe é estranho
mas é capaz
capaz
ainda te amo
amo muito, e amo mais a cada dia
depois de tudo que se passou
e com tudo que passará
eu ainda grito
e o tempo passa
eu ainda te amo
e sempre amarei
por que tu sacrificou a maior coisa por mim
sacrificou o teu amor
e isso me fez te amar
mais ainda
a cada dia

Acidez Mental

do que se tem em...
poemas?
senhora, eu bem me lembro de poemas
e se me lembro
que vagueiam
nada
nada, nada e nada
não senhora,
nada existe
dança
se me permite uma última ousadia, senhora,
se junte a nós
venha com os loucos
venha dançar com os mortos

Explica este nada

Uma dúvida
e se ela te encomodasse?
e se alguma questão te tirasse o sono?
se algum sonho te acordasse a noite?
hoje, sou sonanbula
ninguém dentro de alguém
sou uma alma assustada
por que não sei
o que passa dentro de mim
um fogo borbulha
e me lembra paixão
mas algo mais arde
é um desejo
é um proibído
será um não?

terça-feira, 20 de julho de 2010

Poema perdido

Deixa
parece que não há importancia
então deixa
poeminha sem relevancia
deixa quieto
deixa assim
deixa no ar
o poeminha aberto