quarta-feira, 21 de julho de 2010

A garota no vestido Escarlate

Uma garota descia as escadas pelo corrimão recém encerado ao som do segundo sinal escolar, o corredor era um caminho vazio e obsoleto de longas paredes povoadas de mofo.
Seu compromisso era apenas consigo mesma, tentando provar que era capaz de ser uma boa aluna, uma boa filha ou uma boa amiga. Ela estava decidida ao, ao menos, tentar.

- Ei, Anabelle.

Ela parou. Não havia notado Ingrid enquanto corria, estava tão absorvida em seus próprios pensamentos e em uma promessa secreta de melhora que não percebera nada que acontecia ao redor.
Agora, as meninas a cercavam Anabelle no corredor. Sandra Harley estava escorada na porta do banheiro, olhos baixos em uma desculpa fúnebre. Longos cabelos negros grudavam-lhe na testa, com o suor, Sandra parecia realmente desconfortável ali.

Mirela Pascollina esperava de braços cruzados no pé da escada, os cabelos loiros presos em um rabo puxado e pronta para as ordens de Ingrid.

Havia mais duas garotas de ela não conhecia, mas sabia estar prestes a conhecer.

Ingrid continha um sorriso nos lábios úmidos de gloss. Caminhou até Anabelle, os braços na defensiva, mas ainda inclinada para frente, olhos fixos na sua adversária. As duas rodaram duas vezes no corredor antes de Ingrid avançar. Pareciam duas lobas, cada uma disposta a defender seu território a qualquer custo que fosse necessário.

Sandra, Mirela e as outras esperavam impacientes o momento de entrar na briga, mas sem nenhum sinal de Ingrid eram como pequenos filhotes indefesos. O medo e panico inicial de Sandra já havia passado, e agora ela cercava a briga, atenta a qualquer movimento não planejado que desse a ela a chance de agir. Mirela mantinha as outras meninas afastadas com a mão e um leve sibilar, em intervalos de tempo.

Anabelle conseguiu segurar Ingrid no chão com os pés e agora impedia suas mãos no ar. Sandra se moveu na direção da briga, perto demais, e Mirela teve de afastá-la. As outras garotas estavam inquietas demais.

Anabelle não viu o golpe, mas sentiu o sangue encorrer-lhe queixo abaixo, logo depois de inundar sua boa. Alguma coisa estava quebrada, ela sentia algo errado, mas só foi capaz de uivar.

Nesse momento, três lobos pardos saltaram pela janela e afastaram as garotas da roda de briga. Ingrid lançou-se no ar, agora cercada por lobos, mas o maior deles avançou sobre ela, jogando a menina contra a parede. Os cabelos pretos e curtos se inundaram ainda mais de sangue, que parecia uma gosma quente entre sua camisa e pescoço.

Com um grito, quase rosnar, arrancou a camiseta e se jogou contra um dos lobos. Agora era um lobo cinza contra aquele enorme lobo negro de pelos cobertos de sangue fresco, as garotas que só assistiam a briga até agora ganiram como se feridas e avançaram em suas melhores formas. Agora eram três lobos pardos e um lobo negro contra os outros três lobos que avançaram escola adentro.

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