Um homem barbudo bateu na porta de Andrea Swit, uma civil de 26 anos. Era passada a meia-noite.
- Senhora Swit?
- Sim sou eu. O que você quer?
Andrea Swit era uma mulher cautelosa e autoritária, era preciso só uma breve olhada nela para se perceber. Essa noite seus cabelos loiros estavam soltos sobre o roupão cor-de-mel curto, e suas longas pernas bronzeadas brilhavam a luz do luar. Ela seria uma mulher extremamente excitante, não fosse seus olhos castanhos sérios e sua pequena boca em um rosto anguloso.
Linda e fatal, seria a definição perfeita para a aparencia de Andrea Swit.
O homem barbudo esticou sua mão grande para cumprimentá-la. Sua mão cobriu inteiramente a mão da moça em um toque seguro:
- Sou o agente especial Filadelfia Boot. - recolheu a mão e apresentou o distintivo. - E quero falar sobre seu marido.
Andrea deu passagem ao homem. A sala era mobiliada de forma quase mórbida, peças de antiquário antiguíssimas e escuras, um longo candelabro central e um enorme quadro de uma donzela de branco sobre a lareira. Era uma casa razoavelmente cara, pelo visto, os Swit vivem em um padrão de vida bem generoso.
Andrea indicou a cadeira para o agente Boot, que sentou sem pestanejar, prestando atenção em cada detalhe da casa e tentando memorizar cada milímetro.
- Senhora Swit, quando foi a última vez que a senhora viu seu marido?
- No dia 16, eu já disse isso à polícia, agente Boot.
- Sim, senhora, mas é uma questão de rotina. - ele fez uma breve anotação. - O seu marido estava agindo estranho nos dias antes de... a senhora sabe... desaparecer?
- Ele não me pareceu mais estranho do que o normal, se me permite dizer. - ela descruzou e cruzou as pernas lentamente: - Posso saber qual é o motivo dessa visita no meio da madrugada? A polícia sabe que você está aqui? Alguém sabe que você está me encomodando a esta hora?
- Não. Vim por conta própria por que você é minha principal suspeita.
- Acho que a polícia discorda.
- De fato, ela descorda, mas seu marido foi encontrado morto e várias evidencia apontam você como suspeita.
- Não seja tolo, agente. Por que eu faria isso? Arriscar perder toda essa fortuna? O senhor deve achar sinceramente que eu sou uma tola.
Andrea novamente descruzou as pernas, mas desta vez, não cruzou-as novamente, apoiou-as sobre o sofá:
- A menos que o senhor tenha um mandato de prisão, terei que pedir que se retire da minha casa.
- Está bem, está bem. Mas, fique sabendo, estou de olho em você.
Andrea sorriu e acompanhou o agente até a porta. Se despediram rápido e o agente entrou no carro preto com ar de fúnebre.
O motor pegou de primeira. Andrea fechou a porta assim que o carro se afastou da enorme rua na qual ela vivia confortavelmente fazia 4 anos, desde que se casara.
- Sra Andrea? - chamou uma das criadas de dentro da casa: - Tudo bem?
- Sim, Evangelina. O carro está pronto para minha viagem?
A criada acentiu. Alguns segundos se passaram até que ela tivesse coragem de perguntar para a patroa:
- Quando a senhora volta?
Andrea tirou o roupão que cobria suas roupas do dia-a-dia, um vestido cinza discreto, e pegou um casaco vermelho sobre o corrimão da escadaria. Olhou nos olhos ingenuos da criada, e com uma risada meio fúnebre e quase ironica perguntou:
- Voltar?
Nenhum comentário:
Postar um comentário