quarta-feira, 21 de julho de 2010

Alpha


O nome dela é Helena, o nome dele é Jake. Uma velha amiga de Jake, Rosa, pediu que ele tomasse conta de uma menina que ela salvou. O único motivo da Vampira Rosa não ter matado a menina, é por que Helena parecia saber onde está a amiga desaparecida deles, uma meio vampira-meio deusa chamada Grace. O Jake narra a história:



O tempo passava rápido e eu nem me esforçava para não respirar perto dela. Eu não precisava de esforço, era algo automático em todo momento que ela entrava no mesmo recinto que eu. Na verdade, por mais que deteste admitir, eu já estava me acostumando com sua chatice e incoveniencia habitual. Seus olhos claros cintilando sempre que eu a ignorava e o jeito que ela tentava imitar o rosnado que eu emitia quanto ela me encomodava. As horas passavam tão rápido com ela. Mesmo assim, alguma coisa estranha estava prestes a acontecer, e até aquele minuto eu não sabia o que era.

- Jake?

Ela sussurou se esgueirando pra dentro do quarto. Eu estava deitado na cama e abri um espaço para que ela deitasse ao meu lado. Helena encaixou suas costas na minha barriga. Abracei seu corpo e fechei os olhos. Meu cheiro estava impregnado no corpo dela. O tecido me era familiar. Rosnei:

- Por que você está usando minha camiseta?

- Não rosna pra mim. Minhas roupas estão ficando pequenas! Me empresta o cartão de crédito?

- Por que eu faria uma idiotice dessas?

- Você deve me compensar pela foto daquela vampira escondida no meio das suas meias.

- Você mecheu no meu arm... não sei por que ainda me surpreendo.

- Quem é a loirinha do armário?

Eu ri alto e ela se emburrou com a minha gargalhada que ecoou contra as paredes. Passei os dedos nos fios enrrolados dos seus cabelos loiros. Ela era tão pequena, frágil... Respondi com sinceridade:
- Ela é uma antiga paixão.

- Quão antiga?

- Muito antiga.

- Se é tão antiga, por que você tem uma foto dela no seu armário?

- Ela era do primeiro clã da Grace.

- Então faz uns 300 anos?

- Mais do que isso.

- Por que vocês não estão juntos?

Eu comecei a me irritar com ela. Rosnei e ela tentou me imitar. Era impossível brigar com ela. Helena realmente tinha razão. Por que eu tinha uma foto da Talita no meu armário? Tirei meu braço de cima do seu corpo e deitei de barriga pra cima. Mantive os olhos fechados e senti ela virando e deitando sobre mim. Sua voz fina falhou:

- Está brabo comigo?

- Não.

- Jake?

- O quê?

- Já trepou com ela?

Ela tocou meu rosto com os dedos e fechou os próprios olhos na mesma hora que eu abri os meus. Helena encostou seu nariz no meu e perguntou com uma vozinha doce e encatadora:

- Você dormiria comigo?

- As garotas do século 18 eram diferentes.

- Bem-vindo ao século 22.

Um minuto de silencio se seguiu antes dela falar no meu ouvido:

- Jake?

- O que?

- Você está me ignorando?

- Não.

Ela me beijou de leve e saiu do quarto. O silencio já estava me causando nauseas quando ela bateu de leva na porta:

- Jake? Você pode deitar comigo?

- Adiantaria dizer não?

- Não.

Levantei da cama, fui em passos contados até a sala. Ela deitou no meu colo, de modo que sua barriga ficasse contra a minha. O sangue pulsou mais rápido nas veias dela. Seus olhos se fecharam. Helena colocou a perna em cima de mim e suspirou fundo antes da cair no sono.

Quando ela abriu os olhos, eu continuava deitado ao seu lado, em silencio. Seu espanto foi divertido:

- O que você tá fazendo aqui?

- Olhando você dormir.

- Você é imortal, o tédio deve ser algo comum pra você.

Levantei. Ela se espereguiçou e se pôs de pé na minha frente. Ajeitei seus cabelos atrás da orelha.

- Não podemos sair de casa hoje, Jake.

- Você acha que eu não sou capaz de tomar conta de você?

- Eu não vou pôr a minha vida em risco saindo por aquela porta

- Eu quero sair hoje e vou.

- Vá você, minha vida vale mais do que isso.

- Você não seria grande perda.

- Eu não vou ir te ajudar!!

Ela se irritou e me deu as costas. Atravessei a casa, o pátio, a rua. Nào olhei pra trás até chegar no outro lado da cidade. Sentei em um banco no parque e deixei que o som do vento me acalmasse um pouco. Respirei fundo e senti um cheiro estranho, além da chuva que se aproximava. Uma trovoada cruzou os céus e um homem baixinho com longos cabelos grisalhos apareceu:

- Te assustei?

Uma faca girava em sua mão. Saiu do canto oposto um loiro largo com mais de dois metros de altura e um rosto rechonchudo. O parque logo foi certcado por dezenas de homens armados. Na jaqueta de um: “Housten”. Ri alto de uma piada que não existe:

- Então é isso? Meu pai mandou vocês?

O primeiro a se aproximar correndo, lhe cravou uma adaga nas costelas. Os grandalhões que se seguiram, esmurravam ele com força enquanto dois altos seguravam-no:

- É bom apanhar, bastardo?

- Adorável.

Respondi a um velho de pele rosadas que me apunhalhou a barriga. Senti a pele arder de raiva enquanto me jogavam de um lado para o outro.

- Você vão se ferrar!

- Seu pai mandou lembranças.

Eles riam na minha cara. Um assovio cruzou o campo. A voz de Helena:

- Soltem ele!

Ela segurava uma arma nas mãos trêmulas. Três vampiros caminhavam na direção dela. A arma bateu no chão e ela disparou a correr. Fui largado no chào enquanto todos cercavam ela no outro canto do campo. Não consegui levantar, mas sabia o que estava acontecendo. Uma voz grave:

- O que você vai fazer, princesa?

Outra voz grave e alta:

- Seu vampirinho está longe demais pra salvar você.

Um deles chegou perto e mostrou as garras perto do seu rosto:

- Últimas palavras?

- Eu não preciso da ajuda pra acabar com ninguém.

Não ouvi mais a voz dela, nem abri os olhos. O sangue dos vampiros espirrava ao meu redor, sobre mim. Eles gritavam, muito alto. Fiquei sem respirar.  E esperei.
Quando os gritos cessaram, voltei a respirar e o cheiro Dela penetrou o campo inteiro. Ela era mais importante do que minha vontade estúpida. Sentei e lhe abracei no meu colo. As lágrimas lhe corriam no rosto. Ela finalmente se afastou, as mãos trêmulas. Sua respiraçào irregular. Levei um tapa na cara. Resmunguei:

- Por quê?

- Por ter me assustado daquele jeito!! Achei que ia te perder.

- Eu já nào tinha apanhado o suficiente?

Ela sorriu e me ajudou a levantar com cuidado. A chuva caia forte e apagava as chamas. Helena sorriu e me disse:

- Sempre gostei do barulho da chuva caindo. É poético, alma de tudo. Como se alguém estivesse tentando limpar o mundo

- Nào gosto.

- Por quê?

- É melancolico.

- Isso é. Mas os melhores beijos do cinema acontecem na chuva.

- Nem sempre.

- Sempre.

Ela continuou com os passos ritimados até chegarmos em casa. E isso demorou muito. Atravessou o portão e me deitou sobre o sofá da sala. Seus dedos rasgaram minha camiseta com dificuldade. Os cortes já estavam desaparecendo e ela terminou de limpar o sangue. Helena parecia estar cuidadosa e com pena, mas seus olhos mostravam terror. Segurei seu braço e perguntei:

- Qual é o problema?

- E se da próxima vez eu não estiver lá?

- Eu podia tomar conta deles.

- Não foi o que me pareceu!

- Olha, eu nào preciso que você me ajud...

Um tapa me acertou no rosto em cheio. O slap ecoou e ela cobriu a boca com ambas mãos sujas de sangue:

- Eu não queria... eu...

- Eu mereci.

- Eu não devia ter feito isso, Jake. Sinto muito!

- Eu devia ter te escutado.

- Devia!!

- Me ajude a sentar.

- Por favor, não faça isso comigo de novo.

- Desculpe.

- Você está bem? Quer provar?

Ela virou a cabeça e deixou o pescoço totalmente descoberto.

- Certeza? - Perguntei.

Sua resposta foi rápida:

- E por que não? O qe eu tenho a perder?

Seus lábios quentes vieram devagar contra os meus, foi um beijou longo, cuidadoso e ao mesmo tempo intenso. Mandei:
- Solte os cabelos. Quero fazer isso direito.

Ela balançou os cabelos e seu cheiro dominou-me por completo. Sorri e deixei a mostra minhas presas. Ela tremeu mas continuou fielmente agarrada ao meu corpo. Ouvi a pulsação dela se acelerando novamente, a veia brilhando contra a pele... e mordi seu pescoço. O sangue fluia em uma sensação inexplicavel de puro extâse e prazer. Me afastei dela, que tomou fôlego. Declarou:

- Eu não sou humana.

- Imaginei isso quando você detonou os vampiros no parque.

- Então você me odeia?

- Nunca.

- Não importa o que eu seja?

- O que você é?

- Se isso importa, Jake, você não vai querer me ver na lua cheia...

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